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domingo, 18 de fevereiro de 2018

XXI Encontro da RBTR - Ata


XXI ENCONTRO DA RBTR – PARELHEIROS- SP

Mostra Lino Rojas precedeu o encontro nos dias 6 e 7 de dezembro na Praça Julio Cesar Campos em Parelheiros. Com Teatro de Rocokóz (Parelheiros/SP), Grupo Enchendo Laje (Grajaú/SP), Trupe Olho da Rua (Santos/SP), Cia de 2 (São José dos Campos/SP), Mamulengo Rasga Estrada (Presidente Prudente/SP), Exército Contra Nada (São Bernardo dos Campos/SP) e Trupe Lona Preta (Jd. Guaraú/SP).  E encerramos com cortejo pelas ruas do centro.
Todos os coletivos vieram na solidariedade e a verba arrecadada para a Mostra e para o Encontro foi via chapéu virtual, apoio de um comércio local e alimentação do evento de aniversário de Parelheiros no equipamento do CEU.

Estavam representados: Santos/SP- Trupe Olho da Rua e Vila do Teatro; Cubatão/SP- Coletivo 302; Presidente Prudente/SP- Mamulengo Rasga Estrada, Galpão da Lua, Coletivo da Recusa; Assis/SP- Cia Pé de Pano; São Bernardo dos Campos/SP – Coletivo Menelão de Teatro; São Paulo/SP- Grupo Humbalada, Grupo Enchendo Laje, Teatro de Rocokós, Brava Companhia, Núcleo Vermelho, Madeirite Rosa, Sacolão das Artes, Cia. Desconhecido, Estudo de Cena, Cia das Cabras, Cia Canina, CDC Vento Leste, Companhia do Tijolo, Movimento Cabuçu, Cia. Colcha de Retalhos, Companhia Estável, Trupe Barco Niño, Instituto Pombas Urbanas; Florianópolis/SC – Vulkanica; Rio de Janeiro/RJ – Vinicius; Porto Velho/ RO – Alexandre.
 
Relatos

08/12/2017
Local: Sede Teatro de Rocokóz. Parelheiros, extremo sul de São Paulo.
Foi apresentada proposta de organização das plenárias, considerando avaliações de outros anos, de acontecessem em grupos menores para depois as discussões serem dividas na plenária geral. Porém, por estarmos numa quantidade pequena de pessoas, foi deliberado manter a plenária única, com exceção da Roda de Mulheres.
A primeira plenária propôs, através das apresentações, levantar os temas que seriam pautas do encontro, que foram: Encontro da RBTR (logística, frequência, comunicação, etc..);  Organização interna dos grupos;  Invisibilidade Trans; Segurança e Denuncia; Diálogo com a Sociedade Civil; 2018, cenário político/ institucional; Ações/ encaminhamentos
Nesta plenária debatemos sobre o cenário político de 2018, considerando ser um ano de eleições e avanço do conservadorismo. Nos perguntamos sobre um posicionamento da RBTR, mas não houve consenso sobre apoiar candidatos, pelo contrário, não se legitimou o processo de luta por uma democracia burguesa, mas que é necessário desenvolvermos nosso diálogo com a população sobre o fascismo que avança.
No segundo momento falamos sobre a organização interna dos grupos, que estamos mais avançados que a forma do capital, mas que houve uma grande quantidade de rachas entre os grupos nos últimos tempos e que é preciso olhar para isso, os grupos de teatro formaram militantes e é necessário considerar o contexto histórico, mas também a história de cada coletivo.

09/12/2017
Local: CEU Parelheiros
Foi acordado que a ação do cortejo que faríamos seria durante a festa de aniversário de Parelheiros que aconteceu no CEU, único equipamento público de cultura da região. Entretanto, nos deparamos com uma estrutura institucional com a qual não concordávamos. Fizemos uma assembleia extraordinária, discutindo sobre como estávamos correndo o risco de ser devorados por aquela estrutura e que não era conivente realizar o que havíamos combinado anteriormente, que seria um Cabaré de Diversidades com falas sobre o nosso movimento e o tema "A arte não pode ser calada". A partir de então reorganizamos a nossa apresentação e saímos em cortejo. Esse acontecimento nos ensinou que temos capacidade de dar respostas rápidas e coletivas com nossa linguagem, mas que fomos pegos no susto por uma situação que poderia ter sido prevista e que, nesse sentido, estamos muito desarticulados.
Local: Asé Ylê do Hoozoane. Parelheiros, extremo sul de São Paulo.
O coletivo dos Jovens Urbanos apresentaram sua cena (que seria uma das cenas do Cabaré) sobre Violência e Abuso e de maneira muito organizada, puxaram um debate sobre o tema.
A plenária deste dia teve como foco principal a temática "Cultura e resistência". O pai da casa apresentou o ponto de cultura Ylê e os projetos realizados no espaço, as dificuldades e conquistas em relação a organização de bairro, o processo de apropriação e recusa das instituições e burocracias.
Em seguida partimos para o debate em torno das questões de visibilidade trans e de gênero. Foram trazidos relatos e experiências em torno da temática, citando casos de peças e/ou posicionamentos machistas, misóginos, homofóbicos ou transfóbicos dentro dos grupos de teatro. Vulkanica, de Presidente Bernardes-SP/Florianópolis-SC contou um pouco sobre suas experiências como artista trans e dos processos educativos e de militância política nos quais ela está envolvida. Contou ainda de diversos casos de repressão a apresentações e performances trans que vem ocorrendo recentemente.
Tatiane, da cia. Humbalada, do Grajaú, zona sul de São Paulo, contou um pouco acerca das experiências do evento Periferia Trans, realizado pelo grupo e que vai para sua terceira edição, prevista para acontecer em abril de 2018.
Vulka e Tati explicaram ao público presente os conceitos de gênero, sexualidade, cis e trans, feminismo interseccional, entre outros conceitos presentes nas lutas feministas e LGBTT, uma vez que parte do público não estava familiarizada com estes conceitos.
Conversamos sobre como responder estética e politicamente a discursos estéticos fascistas, machistas, homofóbicos, transfóbicos etc, mesmo e principalmente entre nós. Que é necessário discutirmos Humor, considerando nosso tempo histórico e fortalecer nossos trabalhos e as críticas que pretendemos com eles. Neste sentido questionamos sobre o tema "A arte não pode ser calada", que queremos tolerância, respeito, mas como tolerar um discurso fascista sem virar um fascista?
Debateu-se sobre a necessidade de termos respostas rápidas e potentes (estéticas), sobre a necessidade de posicionamento e que, apesar dos lugares de fala distintos, os homens, por exemplo, também podem e devem se posicionar contrariamente a discursos e ações machistas propagados por outros homens.
Também se discutiu sobre a forma de criticar a polícia em determinadas situações e regiões, mais uma questão complexa: Nos propomos ser radicais nos posicionamentos em relação aos nosso companheiros de categoria, mas como agir em relação a esta figura que representa todos os preconceitos ao mesmo tempo, que é a polícia?
Na noite, as mulheres do Teatro de Rocokóz fizeram uma vivencia em torno da fogueira, sobre a temática de gênero e ancestralidade.

10/12/2017
RODA DE MULHERES
Discutimos sobre organização interna dos grupos e da RBTR, que nesta edição foi praticamente organizada pela mulherada. Falamos sobre a resistência do coletivo em aceitar novas propostas. Estamos descobrindo que, quando as mulheres se juntam para uma plenária, ou para organizar algo, a metodologia é diferente, tem um tempo diferente e que todos e todas podemos aprender com isso.
Percebemos que os encontros RBTR em processo de transição, que há um choque de gerações, que é necessário paciência e solidariedade, pois todos estamos aprendendo com esse novo momento e que não queremos destruir o que foi construído, mas também não queremos reproduzir determinadas formas. Reforçamos a necessidade das mulheres se apoiarem dentro do próprio grupo.
Queremos dialogar e seguir lutando com nossos camaradas. Ficamos muito incomodadas com algumas posturas dos companheiros do Movimento Cabuçu de Guarulhos e abrimos na última plenária uma prosa sincera, que seguirá na construção do encontro Estadual da RBTR, em São Paulo, que será por eles sediado.

Plenária Final

Diagnóstico (pelas cartas e manifestos)

Avanços
·         Teatro de Rua nas universidades: houve a inserção nas matrizes curriculares de alguns cursos de graduação em teatro e artes cênicas, projetos de extensão e pesquisa.
·         Publicações acadêmicas ou não, registros dos grupos, presença nos livros didáticos de artes.

Conquistas e Retrocessos
·         Políticas Públicas: o não lançamento dos editais da Funarte: Artes Cênicas na Rua, Myriam Muniz (teatro), Klaus Viana (dança).
·         A não realização, em 2017, das reuniões do colegiado setorial de teatro do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC).
·         O vencimento dos mandatos dos conselheiros das setoriais do MinC (por exemplo, a setorial de teatro), sem a realização de novas eleições.
É importante destacar a manutenção de diversas mostras e festivais de teatro de rua pelo país, inclusive a criação de novas mostras, realizadas por meio de uma rede de solidariedade entre os grupos e @s artistas, com pouco ou nenhum apoio do Estado ou da iniciativa privada.

ENCAMINHAMENTOS

- Realizar um encontro nacional da RBTR por ano e realizar encontros estaduais/regionais.
Pensar em estratégias para que os encontros estaduais auxiliem a captar recursos para fortalecer o nacional, que o chapéu/apoio conseguido nas mostras e encontros estaduais possam ajudar a bancar a vinda de representantes estaduais para o encontro nacional.
Sugestão de que os estados realizem seus encontros no primeiro semestre... E que o encontro nacional seja realizado em meados do ano, em julho, por exemplo, para que os artistas-professores estejam no período de recesso escolar e possam participar do encontro.
- Local do próximo encontro da RBTR:
Existe a proposta de fazer o encontro nacional em Caxias do Sul/RS, sediado pelo Ueba (eles estão em negociação local) e também existe uma demanda de levar para o centro oeste, para facilitar a participação do Norte e Nordeste. Nos próximos meses @s articulador@s da rede se  manterão em diálogo para definir o local.
- Encontro Estadual de Teatro de Rua (MTR/SP): será em Guarulhos/SP, sediado pelo Movimento Cabuçu. Datas e logística serão definidas nas reuniões do MTR/SP.
- Criar uma carta-modelo da RBTR, com base no artigo 5º da Constituição Federal, de apoio aos grupos que fazem arte de rua, pela liberdade de expressão, contra a censura.
- Quando formos apresentar em outras regiões, contatar os grupos locais, por questão de segurança e apoio.
- Fomentar a presença de grupos e/ou artistas trans nas mostras realizadas no contexto da RBTR, pautando a temática da visibilidade trans dentro dos encontros da rede. Pensar a curadoria das mostras levando em consideração a representatividade de gênero e os conteúdos dos espetáculos a serem apresentados.
- Juntar os grupos de WhatsApp da rede em um só: a partir do grupo do XX encontro, de Presidente Prudente e atualizar . Responsável: Amanda Nascimento.
- Atualizar a lista de e-mails e convidar os novos integrantes da RBTR a se integrarem à lista de e-mails: teatroderuanobrasil@yahoogrupos.com.br. Responsável: Alexandre Falcão.
- Site: Fabinho de Santos?, Danilo Lagoeiro (Londrina).
- Facebook RBTR: Cris (Brava), Edu (Menelão).


CONSTRUÇÃO DA CARTA: Após a última plenária e durante a segunda-feira dia 11, muitos de nós seguimos trabalhando no esforço de construir a Carta-Manifesto coletivamente, pois nos pareceu a maneira mais coerente, apesar de mais cansativa e menos eficiente.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Galpão da Lua corre o risco de ser lacrado novamente



Foto João Paulo Pimenta

Desde o final do mês de setembro de 2017, o Galpão da Lua está impedido de realizar atividades abertas ao público no interior de seu espaço, motivo pelo qual, elas têm ocorrido em bairros onde o coletivo normalmente atua, nas imediações externas ao prédio e na Rua Júlio Tiezzi.
A vida que esse espaço ganhou, desde a nossa apropriação, e nossas ações culturais - que beneficiam toda a população da cidade, sobretudo de bairros da periferia - parecem não interessar ao nosso Prefeito. A obtenção de alvará provisório de funcionamento nos foi negada, diante do impasse legal de que não temos o termo de posse do imóvel, único documento que ficaria ausente no processo do pedido. Mas, como pode então, uma empresa como a Cimcal, e algumas outras, que também ocupam de forma irregular os imóveis da União - e o que é mais grave: que não cumprem qualquer função social, mas de finalidade lucrativa - conseguirem alvará de funcionamento? Foi uma benesse dada aos escolhidos? Por que nos é dado esse tratamento diferenciado?
O único impedimento à obtenção do referido alvará é a ausência do termo de posse, e não questões relacionadas à segurança ou acessibilidade do público, uma vez que estamos prontos para executar as reformas e adequações necessárias e apresentar os respectivos laudos. A negativa, também, se sustenta sobre questões de responsabilidade quando se sabe que, na verdade, muitos prédios comerciais e públicos, como escolas e departamentos, funcionam sem a devida regularização, fazendo do nosso caso uma exceção.

Agora, em nova investida, a Prefeitura acusa nosso coletivo de ter descumprido o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), acordo firmado entre o nosso Coletivo e o Ministério Público Estadual, em Setembro de 2017, e que garantia o funcionamento parcial do Galpão da Lua, depois de sua lacração.
 A acusação, endereçada ao MPE e assinada pelo Sr. Prefeito Nelson Bugalho, diz que o Coletivo Cultural Galpão da Lua tem feito a recepção de público dentro de seu espaço para eventos culturais, o que infringiria as normas do TAC. Trata-se de uma afirmação sem fundamento, visto que todas as atividades abertas ao público, desde então, foram realizadas do lado de fora ou em outros espaços públicos da cidade, conforme atesta e comprova nosso relatório de atividades (disponível no link abaixo) nossos registros audiovisuais e as pessoas que nos acompanham.
https://federacaoprudentinadeteatro.blogspot.com.br/2018/02/galpao-da-lua-corre-o-risco-de-ser.html

Tudo indica que querem impedir o trabalho que o nosso coletivo realiza. Perguntamos: qual o interesse dessa administração municipal? Preferem ver o prédio do Galpão Lua e seu entorno novamente abandonados e entregue ao crack, ou como depósito de cimento e cal de uma empresa privada, ao invés de vê-lo como ponto de cultura, que cumpre uma função social e beneficia a população prudentina?

Sabemos que a Prefeitura, depois de nossa ocupação, também, entrou com pedido de posse do imóvel na SPU, mas não demonstrou nenhum interesse em uma posterior regularização do coletivo, o que lhe competiria, caso obtivesse a posse. Resta saber: estamos, então, concorrendo com o poder público?




RELATÓRIO DE ATIVIDADES


Desde 25 de Setembro de 2017, data em que foi firmado o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o Ministério Público Estadual e a Federação Prudentina de Teatro e Artes Integradas – Galpão da Lua - todas as atividades abertas ao público realizadas pelo Coletivo Cultural Galpão da Lua foram realizadas em áreas externas ao espaço de sua atual sede ou em outros espaços públicos abertos da cidade.

Continuamos, no entanto, realizando as atividades internas pertinentes aos trabalhos de cada grupo e artista pertencente ao Coletivo, como ensaios e treinos. São eles: treino de acrobacias aéreas do grupo Lo Circu de SóVeio, ensaio do Grupo Percussivo Maracanóis, ensaio do Grupo Circo Teatro Rosa dos Ventos, ensaio do grupo Mamulengo Rasga Estrada e reuniões administrativas privadas do Coletivo.

A única atividade permanente mantida, que é aberta ao público, são as Práticas de Choro, que acontecem sempre às quartas feiras, às 19h30. E, desde o firmamento do TAC, todas as Práticas de Choro têm sido realizadas na plataforma/calçada externa ao prédio do Galpão da Lua.

Portanto, este sucinto relatório vem responder ao Poder Público Municipal às conclusões de que este Coletivo desrespeitou os termos do TAC ao afirmar que foram realizadas atividades internas com recepção de público no Galpão da Lua.

Assim, conforme exposto, segue relatório descritivo de cada atividade realizada pelo Coletivo desde então.


07/10/2017
Show com Edvaldo Santana
Horário: 21h às 22h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua
Estimativa de público: 50 pessoas


O show com o artista paulistano ocupou a calçada/plataforma frontal e parcialmente da via Julio Tiezzi, uma rua sem saída, deixando, assim, a passagem livre para o transito local de moradores e quaisquer outros veículos. O local foi devidamente sinalizado com fita zebrada e cones.




11/11/2017
IV Feira da Reforma Agrária
Horário: 9h às 13h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua
Estimativa de público: 100 pessoas

A Feira da Reforma Agrária, desde sua primeira edição, acontece do lado de fora da sede do Galpão da Lua, ocupando a calçada/plataforma frontal do prédio e plataforma lateral. A feria beneficia cerca de 50 famílias assentadas da região do Pontal do Paranapanema e recebe um público de passagem que circula livremente pela rua.



17/11/2017
Espetáculo Hoje Tem Espetáculo!!!
Grupo Circo Teatro Rosa dos Ventos
Horário: 20h
Local: Praça do Posto de Saúde do Bairro Bela Vista
Estimativa de público: 200 pessoas

O espetáculo, que teve patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo através do ProAC – Programa de Ação Cultural, teve apoio técnico e de logísticado Galpão da Lua para sua realização.


01/12/2017
Evento Divulgado: Segunda Edição da SextAfro
Horário: 19h

O evento, que fazia parte da programação do festival "Madiba Festival de Arte" e aconteceria na parte externa do Galpão da Lua, foi cancelado devido ao mau tempo.







02/12/2017
Oficina A Ciência do Baque Virado
Eder "O" Rocha
Horário: 15h
Local: Linha férrea
Público: 20 pessoas

Final de semana de comemorações do grupo percussivo fundado dentro do coletivo, as oficinas aconteceram em áreas externas ao Galpão da Lua, quais sejam, na Linha Férrea e Praça da Bandeira.





02/12/2017
V Feira da Reforma Agrária
Horário: 9h às 13h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua
Estimativa de Público: 100 pessoas

A Feira da Reforma Agrária, desde sua primeira edição, acontece do lado de fora da sede do Galpão da Lua, ocupando a calçada/plataforma frontal do prédio e plataforma lateral. A feria beneficia cerca de 50 famílias assentadas da região do Pontal do Paranapanema e recebe um público de passagem que circula livremente pela rua.




03 de Dezembro de 2017
Oficina A Ciência do Baque Virado
Eder "O" Rocha
Horário: 10h
Local: Praça da Bandeira
Público: 15 pessoas

Final de semana de comemorações do grupo percussivo fundado dentro do coletivo, as oficinas aconteceram em áreas externas ao Galpão da Lua, quais sejam, na Linha Férrea e Praça da Bandeira.




03/12/2017
Cabaré Cultural
Horário: 20h
Local: Parque do Povo
Estimativa de Público: 150 pessoas

Apresentação do espetáculo coletivo Cabaré Cultural realizado através do edital de circulação GIRAARTE 2017, foi realizada no Parque do Povo, de acordo com programação e cronograma definidos pela Secretaria Municipal de Cultura de Presidente Prudente.



10/12/2017
Cine na Linha
Filme Tartarugas Podem Voar
Local: Linha Férrea
Público: 02 pessoas



13/12/2017
Espetáculo Forfé
Projeto Busca Vidas – Palhaço Nelson do Bigodinho
Horário: 20h
Local: Parque do Povo
Estimativa de Público: 250 pessoas

O espetáculo teve a promoção do Galpão da Lua que deu apoio técnico e de logística para sua realização, assim como a recepção do artista.



14/12/2017
Cine na Linha
Local: Galpão da Lua
Público: 0 – evento não ocorreu



15/12/2017
Batalha do Vale Especial de Natal
Horário: 19h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua
Estimativa de público: 200 pessoas

Evento de batalha de freestyle que acontece, tradicionalmente, todas as sextas feiras na popular Praça do Vale, realizou sua última edição do ano de 2017 na plataforma externa do Galpão da Lua.





19/12/2017
Espetáculo Forfé
Projeto Busca Vidas – Palhaço Nelson do Bigodinho
Horário: 19h
Local: Praça 09 de Julho
Estimativa de Público: 200 pessoas

O espetáculo teve a promoção do Galpão da Lua que deu apoio técnico e de logística para sua realização, assim como a recepção do artista.



22/12/2017
Espetáculo O Sumiço do Boi Pintadinho
Grupo Mamulengo Rasga Estrasa
Horário: 20h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua

Espetáculo aconteceria na parte externa do Galpão da Lua ocupando parcialmente a via Julio Tiezzi, que estava devidamente sinalizada. O espetáculo foi cancelado por intermédio da Polícia Militar que levou um dos integrantes do grupo para prestar esclarecimentos sobre o evento no momento da apresentação.




13/01/2018
VI Feira da Reforma Agrária
Horário: 9h às 13h
Local: Imediações externa do Galpão da Lua
Estimativa de público: 100 pessoas

A Feira da Reforma Agrária, desde sua primeira edição, acontece do lado de fora da sede do Galpão da Lua, ocupando a calçada/plataforma frontal do prédio e plataforma lateral. A feria beneficia cerca de 50 famílias assentadas da região do Pontal do Paranapanema e recebe um público de passagem que circula livremente pela rua.




18/01/2018
Espetáculo Contos da Floresta
Grupo Caravana Mangará
Horário: 20h
Local: Praça do Wi-Fi Conjunto Habitacional João Domingos Netto
Estimativa de público: 50 pessoas

Espetáculo do grupo acreano, promovido pelo Coletivo Cultural Galpão da Lua, recebeu apoio técnico e de logística.






20/01/2018
Espetáculo Rua Sem Saída
Grupo Nativos Terra Rasgada
Horário: 20h
Local: Praça do Wi-Fi Conjunto Habitacional João Domingo Netto
Estimativa de Público: 200 pessoas

Espetáculo que recebeu apoio técnico e de logística do Coletivo Cultural Galpão da Lua, teve patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo através do ProAC – Programa de Ação Cultural.


23/01/2018
Noite Acreana
Grupo Caravana Mangará
Horário: 19h
Local: Imediações externas do Galpão da Lua
Estimativa de público: 30 pessoas

Evento organizado pelo grupo Caravana
Mangará para a promoção da cultura
acreana.. Para sua realização foi ocupada a
calçada/plataforma frontal e parcialmente a
via Julio Tiezzi, rua sem saída, deixando,
assim, a passagem livre para o transito local
de moradores e quaisquer outros veículos.
O local foi devidamente sinalizado com fita
zebrada e cones.
































Atividade Permanente Abera ao Público:
Todas as quartas, às 19h30
Práticas de Choro
Local: Plataforma/calçada externa ao Galpão da Lua e pequena parte da via



Este Coletivo, portanto, afirma que não desrespeitou os termos do TAC pois não realizou evento interno com recepção de público.

Reiteramos, ainda, que não encontramos saída para a regularização do espaço, conforme as normas urbanísticas municipais, sem o termo de posse ou cessão de uso do imóvel.

Dispostos a quaisquer esclarecimentos, pedimos solicitude com o fato.

Atenciosamente,


Coletivo Cultural Galpão da Lua























quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

XXI Encontro da REDE BRASILEIRA DE TEATRO DE RUA - RBTR dezembro/2017 - Parelheiros, São Paulo


“A arte não pode ser calada”

Se quem cala consente
Quem fala? Quem sente?
Se cala quem consente
E consente porque cala.
Somos calad@s sem consentimento
Mas sentimento não se cala,
É sentido                                
Não falar não faz sentido.
Não consentimos que nos calem à força.
Não estamos sós, somos voz!
A fala que controla 
Amordaça quem não fala,
Mente à gente. Cala mentes;
Controla o que se fala.
É preciso calar quem sempre
dominou o poder da fala,
Pois só falam os que têm poder.
Nosso poder está em deixar gritar quem nunca pôde falar.
Falas de Poder.
Poder falar
E falar não:
Poder falar de calar o poder.
Quem sempre falou, agora tem que escutar!
Pelo fim da censura e da perseguição de povos indígenas, negr@s, LGBTTs,  mulheres, religiões de matrizes africanas, d@s artistas de rua e trabalhador@s da Cultura, população em situação de rua, campones@s e sem terras, refugiad@s, ambulantes, periféric@s  e tod@s @s oprimid@s.
Que as Margens não se calem e não se deixem ser caladas.
O XXI encontro da RBTR foi realizado em Parelheiros do dia 08 a 11 de Dezembro, na resistência e solidariedade. A princípio deveria acontecer em Osasco com apoio da Secretaria de Cultura local, mas por conta do processo de censura e perseguição aos movimentos culturais de Osasco e demissão do Secretário de Cultura, foi preciso mudar o local do encontro às pressas. Mesmo em meio ao projeto de desmonte das políticas públicas, resistindo ao governo golpista e à atual conjuntura dessa Dita Democracia, realizamos a XII Mostra de Teatro de Rua Lino Rojas, cortejos, debates e o XXI encontro da RBTR com plenárias, rodas de mulheres e espaços de troca e formação.
Resistir, reexistir, resistência
Persistir, permitir, experiência!
Resistimos
Não por justiça, por sobrevivência. 
Ansiedade, a ânsia e o anseio pelo novo tempo.
pelo mundo sem dono, sem patrão.
Temos urgência, mas haja paciência!
Em meio a tanta confusão e dúvidas
Resistimos como no movimento das águas que nos fortalece, mas também desestabiliza
São as forças da tradição e d@ nov@
Dificuldade de comunicar com afeto,
Tolerar é pacto ou compreensão?
Experiência prática, erros, confusão.
Aprendizado na ação.
É o nosso Ritual da Resistência.
Fortalecemos para desestabilizar, confundimos para desconfundir.
Lutar cuidando de nossa saúde mental.
Quanta ansiedade, quanto mais se pensa é louco e louco fica se pensa pouco.
Não somos histéricas, resistimos....
Pois a sua boa educação me faz mal, mal educada.
Feminino, amor, diversidade, queremos liberdade!
Roda de mulheres, linda roda, lindas belas trans mulheres.
O tempo, a têmpera, amada presença.
Tempera
Negraluz, as águas, mãe.
Se tentam nos tirar a potência, com a potência criativa atacaremos.
Okuparemos
É por re(ex)istir.
- Denunciamos e repudiamos o desmonte das políticas públicas de cultura em âmbito federal, como os editais da Funarte, entre eles o Myriam Muniz (teatro), Klaus Viana (Dança) e Artes na Rua (circo, dança e teatro) e o programa Pontos de Cultura, que não tiveram continuidade em 2017.
- Denunciamos e repudiamos o fim das reuniões do colegiado setorial de teatro, ligado ao Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), cujas reuniões deixaram de acontecer no ano de 2017.
- Repudiamos a reintegração do policial militar Marcelo Coelho, julgado pela Justiça Militar pelo assassinato da artista de rua Lua Barbosa, à Polícia Militar do Estado de São Paulo. A RBTR reitera “A impunidade é mais dolorosa que a morte!”.
- Não nos calaremos frente às práticas de censura contra a Mostra Cena Vermelha de Osasco e todas as violências contra @s trabalhador@s e ocupantes das ruas. Construímos uma carta-modelo da RBTR, de apoio aos grupos que fazem arte de rua, pela liberdade de expressão, contra a censura, com base no artigo 5º da Constituição Federal.
-Repudiamos o desmonte de políticas culturais já consolidadas na cidade de São Paulo: cortes nas oficinas culturais nos CEUS e outros equipamentos (Programas Piá e Vocacional), o desmonte da Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA), a diminuição em 30% dos recursos destinados ao Programa VAI (política que busca incentivar a autonomia da juventude periférica), a suspensão do Programa Aldeias (que fortalece aldeias indígenas existentes na cidade), os cortes nos programas de fomento a grupos culturais (teatro, dança, circo, cultura digital, periferia), os atrasos de pagamento e abandono aos agentes comunitários de cultura, e a precarização do trabalho nas Fábricas de cultura no estado de São Paulo;
-Parelheiros foi sede para nosso encontro, região imensa ao extremo sul da cidade de São Paulo, na qual situam-se as duas maiores Áreas de Proteção Ambiental do município, além das aldeias Guarani Krukutu e Tenondé-Porã, da Nação Guarany, área rural de difícil acesso, que conta com 50 mil habitantes e índices altíssimos de violência. O único equipamento que o poder público destina à cultura é o CEU Parelheiros, que, à revelia do projeto inicial, foi construído sem teatro. Apoiamos o Fórum de Cultura de Parelheiros na luta pela implantação da Casa de Cultura, que apesar de ter sido construída em 2009, por motivo desconhecido, o edifício nunca foi usado para os devidos fins – ao contrário: até 2015, a comunidade cultural local nunca soube de sua existência, uma parede dividiu o edifício, metade foi entregue ao Conselho Tutelar e a outra metade permanece abandonada até hoje, com janelas quebradas e fios elétricos subtraídos. Exigimos o encaminhamento adequado e atenção merecida à Cultura da Região.
São Paulo à Venda. Há Venda São Paulo.
Liberdade
Cidade à Venda
Diversidade
Cidade com Venda
Comicidade
Cidade sem renda
Cidade linda pra quem?
Pra quê?
Pra comer ração humana?
Pra derrubar prédio com pessoas dentro?
Come Cidade
Devora o que te engole,
Vomita as migalhas destinadas à Cultura
Não pedimos esmolas, trabalhamos!
E exigimos que os frutos da luta do nosso trabalho sejam cumpridos; nutridos, acolhidos. 
Se querem nos calar a força, com força diremos não: A Nossa arte não vai se calar. Nossa arte é o grito d@s oprimid@s/ d@s que estão à margem, não iremos nos calar!

Carta-manifesto construída coletivamente com muitas mãos. Comum às mãos.
Dezembro de 2017 – Parelheiros – São Paulo


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

XXI Encontro da RBTR

Arteirxs, rueirxs, companheirxs de arte, ofício e lutas: 

   Como sabem, por conta da situação de censura e repressão, fomos forçados a mudar o local do XXI ENCONTRO DA RBTR. Nosso tempo de organização foi reduzido, mas vamos nos encontrar na raça, na resistência.Com todo o carinho e força que temos, estamos correndo atrás de doação de boa comida, estrutura e possibilidades de transporte. Também estamos lutando para conseguir realizar a Mostra Lino Rojas para acontecer na mesma semana, em Parelheiros.
   Para seguir a tão necessária tradição, vamos passar o chapéu virtual. Indo ou não ao encontro, podem fortalecer através do depósito em conta poupança na Caixa Econômica Federal, na conta de Cristiane Lima Pereira, CPF 339.560.298-28
AG. 1609 / 013
C/P 00000299-8

Quem ainda não se inscreveu, por favor preencha o formulário no link: 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A disputa da arte em uma sociedade conservadora

Adailtom Alves Teixeira[1]

A liberdade é imprescindível para o desenvolvimento das artes. É possível garantir esse desenvolvimento quando à sociedade dá uma guinada conservadora, se pautando por valores morais? Atos recentes ocorridos em museus brasileiros e promovidos por certo “movimento” de olhos nas eleições que se aproximam, lançam o alerta fundamental: mais do que o desenvolvimento da arte, o que está em jogo é o tipo de sociedade que estamos construindo; que direção essa sociedade está tomando. Mas a arte passa a ser importante como sinal, justamente porque ela sempre foi desimportante, principalmente se tomarmos como parâmetros programas públicos de cultura construídos no tempo de nossa jovem democracia, isto é, nos últimos 30 anos.

A arte que acredito deve ter a possibilidade de disputar o imaginário e apontar novos rumos da sociedade, muito embora não seja a arte em si que mudará o país, o mundo. Para que essa arte possa disputar esse imaginário se faz necessário a liberdade, em sentido amplo, pois em uma sociedade de mercado, a censura, na maior parte das vezes, vem pela via econômica, por isso a discussão aqui ficou atrelada, minimamente, à questão das políticas públicas de cultura, ou seja, de como essa mesma sociedade é capaz de entender sua arte e disputar mecanismos de fomento dentro do Estado para que ela cresça e floresça. E aí a cobra morde o próprio rabo, pois em três décadas de nossa jovem democracia temos experiências pontuais de políticas públicas democráticas na área da cultura, mas a grande orientação é mercadológica e não de processos de fomento que permitam a experimentação político-estética. Basta dizer que, no âmbito federal o nosso modelo ainda é a Lei Rouanet. Ou se pegarmos qualquer uma das sete artes, todas que tem grande expressão social são ligadas à indústria cultural. E aqui não cabe e não farei a discussão entre cultura popular, de massa e erudita, isso porque essa separação é histórica e, talvez um dia, sejamos capazes de superá-la, embora saibamos que existem muitas diferenças, mas foge ao escopo da discussão.

Como apontamento em relação à construção de políticas públicas de cultura, cabe deixar claro que, nem mesmo no chamado melhor período de nossa jovem democracia, os anos de governo democrático popular, fomos capazes de construir algo duradouro e os retrocessos vêm em avalanche: desmonte do Minc, ausência de programas públicos de cultura em lei, desmonte do que há nas principais metrópoles – o que demonstra que os artistas não foram capazes de construírem grande lastro social, a ponto dos demais seguimentos sociais lutarem com os artistas pelas conquistas – e, mas recentemente, a censura pública por parte de pequenos grupos conservadores, mas com uma forte capacidade de intervenção midiática e com apelo popular, devido à disseminação do medo. Esse aspecto, o desmonte e o retrocesso social, deixa claro um ponto fundamental, ao menos em relação ao campo aqui em discussão: a esquerda em nosso país nunca deu a devida atenção à força e ao papel da arte na sociedade, somos vistos como penduricalhos à direita e à esquerda.

Quando não somos reconhecidos como importante nem mesmo pelos elementos progressistas, padecemos do abandono do Estado – que, apesar de ser instrumento de dominação de uma classe sobre a outra, deve ser disputado, pois é onde, ainda, estão os instrumentos de regulação social. Abandonada pelo Estado, a arte passa a contar apenas com instrumentos de regulação econômica, isto é, deve ser vendável para sobreviver. Ora, em uma sociedade pautada pela moral, fica claro que arte se destacará: o rebotalho midiático, a indústria cultural. Isso significa que não haverá outra forma de arte? Claro que não, onde há opressão há resistência. Mas não se pode esquecer que os meios materiais também determinam a estética, logo uma arte de resistência talvez fique mais frágil, por mais que se deseje ou se espere o contrário.

Devemos lutar pela liberdade da arte, mas não apenas nós, os artistas, mas sim como sociedade. Sabemos que a liberdade é uma construção social; como construir a liberdade em uma sociedade conservadora? Retomo aqui o texto de Raymond Williams de 1978, Arte: liberdade como dever. O autor discute a liberdade e o dever na arte, entende que “[...] o primeiro dever do artista, em um sentido importante, é ser livre, e o primeiro dever do provimento social das artes é assegurar a liberdade” (2015, p. 131). Claro, o lugar de fala do autor é diferente do nosso, mas nos serve. O autor sabe dos limites da liberdade em uma sociedade de mercado, ainda assim, entende que a liberdade nas artes é “[...] uma necessidade social” (2015, p. 132). Logo, temos uma tarefa: engajar a maior parte da sociedade na discussão.

Essa necessidade de muitas vozes é uma condição de saúde cultural de qualquer sociedade complexa e, assim, a criação de condições para a liberdade do artista, nesse sentido, é dever da sociedade, não para o bem de qualquer artista individual, nem em termos de discussões abstratas sobre direitos, mas simplesmente porque a sociedade precisa de toda experiência articulada e de todas as criações específicas que puder obter (2015, p. 133).

Nascemos no seio de uma família, de uma sociedade e em determinado tempo histórico, logo, a arte que se produz não está dissociada disso tudo. Então cabe perguntar: se não formos capazes de mobilizar, de avançarmos em um debate público sobre a liberdade da arte, o que as próximas gerações estarão produzindo artisticamente daqui a trinta anos? Talvez nossa capacidade de criação, de inventividade seja maior que isso, haja vista, a produção que a periferia das grandes cidades tem dado como resposta artística, inclusive sem apoio do Estado; mas, ainda que seja alentador esse olhar, é preciso lutar agora para que não tenhamos nossa capacidade de resiliência ainda mais diminuído nas próximas décadas. A nossa liberdade é sempre relativa, todo artista é filho de seu tempo histórico, logo sua criação não foge totalmente a isso. O artista do futuro dependerá da sociedade que formos capazes de construir no atual momento histórico.

Bibliografia
WILLIAMS, Raymond. Arte: liberdade como dever. In: WILLIAMS, R. Recursos da esperança: cultura, democracia, socialismo. Trad.: Nair Fonseca e João Alexandre Peschanski. São Paulo: EdUnesp, 2015.



[1] Professor do Curso Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Rondônia; Mestre em Artes pela Unesp; articulador da Rede Brasileira de Teatro de Rua; ator e diretor teatral.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

A ARTE NÃO PODE SER CALADA



 


A ARTE NÃO PODE SER CALADA

Campanha da Rede Brasileira de Teatro de Rua pela liberdade de expressão e contra a repressão aos artistas de teatro de rua


1. Faça seu vídeo, no celular, sobre a importância da liberdade de expressão da arte de rua.

2. Use as hastags: #liberdadedeexpressao #diganaoarepressao

3. Fale sobre seu repúdio aos casos de repressão ao teatro de rua que estão acontecendo em vários cantos do Brasil.

4. Ao compartilhar seu vídeo, cole a imagem que acompanha esta mensagem, e também o endereço do blog que foi criado para juntar os mais diversos materiais que formos colhendo: http://artenaopodesercalada.blogspot.com.br

5. Um tempo bom  para seu vídeo ter é em média 1min e 30 seg


Gasto do dinheiro público: Sociedade Cível x Poder Público e o caso do Teatro Paulo Roberto Lisboa


Fernando Silva de Ávila
           
Depois de algum tempo como participante do coletivo cultural “Galpão da Lua” (instituição cultural sem fins lucrativos) e do grupo “Rosa dos Ventos” (instituição cultural com fins lucrativos) que prestam serviços para as três esferas do poder público (Municípios, Estados e União), surgiu-me a vontade de fazer uma comparação rasa entre a severa fiscalização realizada sobre as ações realizadas pela sociedade e aquela exercida pelo Tribunal de Contas da União (TCE) sobre o gasto do dinheiro público pelo próprio Poder Público Municipal.
Neste texto pretendo apenas demonstrar que existem irregularidades e um aparente desrespeito ético com a sociedade. Para isso, usarei como exemplo a rigorosidade encontrada nas contratações que buscamos juntamente a estas instituições públicas, em contraste com a licitação e o contrato para a prestação de serviços técnicos de reforma e adaptação do Teatro Paulo Roberto Lisboa (Sistema de Tratamento Acústico, Cenotecnia, áudio e vídeo - teatro) realizado entre a Prefeitura Municipal de Presidente Prudente e a TMV Engenharia e Construções Ltda. (Contrato celebrado em 09-02-12. Valor – R$2.208.229,63).
Um primeiro ponto para se refletir, diz respeito às grandes exigências colocadas perante a sociedade cívil para que se firme um contrato com o poder público. Inicialmente, uma equipe técnica analisa sua lista de documentação (RG, CPF, CNPJ, contrato social ou estatuto), para em seguida uma comissão “independente”, criada pelo próprio poder público e composta muitas vezes de maneira paritária (poder público x profissionais independentes com notório saber), julgar sua “qualidade artística/cultural”. Desta forma, questionam a relevância da proposta, sua originalidade, singularidade, além do currículo do artista e do grupo/equipe principal e o histórico da atividade proposta. Assim, depois de uma incrível sabatina sobre o mérito artístico-cultural, percebe-se que além de questões práticas muita subjetividade é avaliada.
 Avaliações estas para contratações de espetáculos com valores, para o nosso caso, de no máximo R$15.000,00 (Quinze mil reais), ou projetos mais amplos (cronogramas maiores e mais atividades) com valores até R$100.000,00 (Cem mil Reais).
Assim, além da comprovação de atividades culturais por mais de dois anos, segue-se comumente uma lista de pedidos como:
- Projeto técnico com resumo, apresentação, objetivo, justificativa e orçamento detalhado;
- Cronograma de ações com relatórios mensais;
- Cadastros de proponente e de ações em sites de mapeamentos culturais para rastreamento dos mesmos (Base de Dados RAC interligados entre municípios, Estados e União);
- Plano de Acessibilidade, no caso do MINC com Instrução Normativa específica (n.º 01/2013);
- Plano de Divulgação;
- Plano de Ações de Formações; (Em muitos casos isso é posto como uma atividade que deverá ser oferecida gratuitamente pelo grupo como uma contrapartida social);
- Anuência (permissão) dos locais onde ocorrerão as atividades;
- Clipping (matérias de jornais, fotos e demais materiais falando que somos lindos e cheirosos);
- Mapa de palco com descrição de som, luz e cenário
- Riders técnicos (que são as necessidade de som e iluminação).
- Diversas certidões e declarações:
- Declaração do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (CEIS);
- Certidão de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União;
- Certificado de Regularidade do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço – FGTS – CRF;
- Certidão negativa relativa a débitos inadimplidos perante a Justiça do Trabalho através da Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas – CNDT.

Detalhe: o preço do seu trabalho, na maioria das vezes, já é ditado no edital sem que saibam de suas reais necessidades ou o quanto vale o seu trabalho. Qualquer item desrespeitando o contrato, o mesmo é cancelado.
Isso são documentos necessários para a contratação e na prestação de contas, ao final do projeto, a sabatina ainda é grande e qualquer erro é obrigação devolver o dinheiro que não foi justificado de maneira razoável.
Agora, para contrapor as dificuldades que nós encontramos para um contrato com o poder público, vejamos o caso da reforma do Teatro Paulo Roberto Lisboa.
  Durante a licitação duas empresas concorreram, mas uma foi considerada inabilitada por falta da certidão negativa de pedido de falência ou concordata ou de execução patrimonial. Não houve interposição de recurso por parte da licitante, mesmo sendo uma certidão de fácil obtenção, estranho... Porém, “Queimando a largada” também se percebe que houve irregularidades que foram condenadas pelo TCE. Entre elas, destacam-se: (1) a falta de parâmetro sobre os preços praticados no mercado, o que leva a não comprovação da economicidade e vantajosidade do ajuste; (2) a obrigatoriedade colocada pelo edital de se realizar uma visita técnica por um engenheiro ou arquiteto da própria empresa licitante; e (3) a necessidade de comprovação de aptidão em atividade específica através de um único atestado.
  Com relação à formação técnica do profissional que realiza a visita técnica, não cabe a Administração disciplinar este aspecto, pois se trata “de interesse exclusivo das participantes dos certames, que devem enviar os profissionais se sua equipe que melhor possam estimar os aspectos técnicos e os custos da proposta que será efetuada”, conforme argumenta o TCE. Isso porque conhecer os locais que serão executados serviços ou obras é ônus da empresa interessada, que deve levantar suas próprias necessidades.
Quanto à exigência de comprovação de experiência anterior por meio de um único atestado, afronta a legislação em regência, pois o § 1º, do artigo 30, da Lei nº 8666/93 não estabelece limitação máxima ou mínima ao número de atestados.
  No entanto, o pior de tudo foi não haver a indicação da fonte utilizada para a elaboração do orçamento ou da pesquisa de preços hábeis para mostrar a “compatibilidade dos preços com os praticados no mercado”.  Muito embora a prefeitura tenha afirmado que buscou a proposta mais vantajosa, e que a pesquisa mercadológica foi adequadamente elaborada, refletindo a realidade do mercado, o TCE não se convenceu.
            E assim o TCE procede em 10/06/2014:
        
“Os vícios apontados na instrução comprometem a totalidade dos atos praticados.
A falta de parâmetro sobre os preços praticados no mercado e a não comprovação da economicidade e vantajosidade do ajuste são falhas graves, especialmente no caso, em que não houve uma real concorrência de preços, já que o objeto foi adjudicado à única proposta comercial obtida.”

Frente a tantos erros que afrontam a Lei 8666/93 e a própria Constituição Federal (artigo 37, caput e inciso XXI) foi aplicada uma pífia multa ao ex-prefeito, com base na Lei Complementar nº 709/93, no valor correspondente a 160 (cento e sessenta) UFESPs, ou seja, R$4.011,60 e débito da multa para inscrição na dívida ativa, visando à posterior cobrança judicial caso não fosse pago. Ressalto que este é o valor mínimo da multa, conforme atesta o próprio TCE.
Ainda assim a prefeitura entrou com recurso sobre a decisão da Primeira Câmara, entretanto, a decisão no Tribunal Pleno, em sessão de 07/12/2016, permaneceu a mesma, pois os argumentos colocados não foram convincentes.
Desta forma, usa-se de maneira obtusa R$2.208.229,63 e paga-se multa de R$4.011,20. Assim fica fácil. Uma pena e um desrespeito ao dinheiro público.